Associação dos Arqueólogos Portugueses
Fundada em 1863 por Possidónio da Silva, arquitecto da Casa Real, e por mais sete arquitectos, a hoje designada Associação dos Arqueólogos Portugueses foi inicialmente uma associação de carácter profissional. Porém, cedo se abriu a todos os interessados na defesa e valorização do património arquitectónico e arqueológico, qualquer que fosse a sua formação académica, numa altura em que não havia ainda cursos universitários específicos de Arqueologia, uma disciplina relativamente recente. Pertenceram, assim, a esta Associação alguns dos mais prestigiados intelectuais do país, tais como Alexandre Herculano, Leite de Vasconcelos, Júlio de Castilho, e o Conde de S. Januário, que sucedeu a Possidónio da Silva, em 1896, na presidência. Entre os primeiros arqueólogos que pertenceram a esta Associação destacam-se Carlos Ribeiro, Estácio da Veiga, Martins Sarmento e Gabriel Pereira. Já no século XX, merecem especial destaque a acção de Joaquim Fontes, Afonso do Paço, e sobretudo de D. Fernando de Almeida e Eduardo da Cunha Serrão, a quem se deve a abertura da AAP, nos anos 70, a uma nova geração de arqueólogos, que actualmente ocupam as posições mais destacadas nas Universidades, nos Museus e na Administração Pública. Já no século XXI, em consequência da gradual profissionalização da Arqueologia, a AAP adquiriu uma nova dinâmica, promovendo com regularidade, através das suas secções de Pré-história e História e das comissões especializadas de Estudos Olisiponenses e de Heráldica, inúmeras palestras, debates e colóquios sobre temas arqueológicos, que muito têm contribuído para a formação de uma nova geração de arqueólogos.
Além da sua actividade cultural, a AAP tem também tomado posição sempre que tem conhecimento de situações de risco grave para o património arqueológico do país, alertando para o efeito a comunidade arqueológica e a opinião pública, afirmando-se como um interlocutor válido junto das entidades competentes da administração pública.
A AAP é também a responsável pela gestão do Museu Arqueológico do Carmo, o mais antigo do país, fundado em 1864 nas ruínas da antiga igreja do convento do Carmo, as quais foram resgatadas de uma utilização indigna, e transformadas num dos ex libris da cidade de Lisboa.
Esta 1ª Festa da Arqueologia insere-se na actual política de aproximação entre a comunidade arqueológica e a população portuguesa, considerada essencial pela actual Direcção. Foi organizada com o apoio dos seus associados e não teria sido possível sem a disponibilidade de todos os participantes que aceitaram embarcar neste evento inédito em Portugal.

